4º Encontro Paulista de Parkour

Eduardo Bittencourt – Psicólogo - CRP: 06/60602 - Pós Graduado em Psicologia Clínica pela PUC-SP

Sobre o Parkour

 

No Parkour, além de sua prática, muito me interessam as questões que chamo de novos olhares que ele nos proporciona. Esses vão desde o interesse pela arquitetura, utilização do espaço público, novos sentidos dados aos objetos urbanos ao cuidado de si, desenvolvimento da autoconfiança, descoberta de potencialidades adormecidas... São tantos aspetos que interessam ao psicólogo, que num artigo curto como esse não considero possível falar tudo que gostaria.

Segundo Gisele Maria Shwartz, Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, em entrevista a Revista Profissão Mestre - dezembro de 2006:

“Parkour pode ser multidisciplinar, envolve Educação Física, Matemática, Física, Educação Artística, História e Geografia¨. Para ela, a Matemática é contemplada pelas noções espaciais e formas Geométricas. A História pode estudar a evolução da técnica, o local e o motivo de sua criação e a forma como foi ensinada na França no século XX.

A Geografia pode ser usada para se conhecer as semelhanças e diferenças entre o relevo da Europa e do Brasil e as diferenças de tempo, que possibilitam mais ou menos a prática diária. Além disso, a Física pode fazer uso das noções de inércia, distância, resistência, ângulos, tempos de trajeto e força motriz. Gisele lembra ainda do aspecto psicológico, que se desenvolve com o aumento de auto-estima e autoconfiança por parte da pessoa que o pratica. Isso sem falar na parte motora. O Parkour desenvolve nas crianças a noção espacial – já que conta com obstáculos e distâncias diferentes – ,a coordenação motora, a flexibilidade, a força e a impulsão.”

Assim como desenvolve habilidades físicas, o Parkour possui características que do ponto de vista social e mental podem ser muito interessantes.

Ele é transmitido gratuitamente pelos mais experientes, pessoalmente ou por internet. Não existem mestres de Parkour, o praticante deve trilhar seu próprio caminho. Será de sua responsabilidade treinar seu corpo, sua técnica, perder os medos ou respeitá-los, preservar-se. Assim, progressos e falhas dos praticantes também são de sua responsabilidade. Isso só é possível porque os praticantes rejeitam competições não havendo manobras ou obstáculos específicos a serem superados. Desenvolve-se assim como um processo pessoal, onde o praticante busca aperfeiçoar-se a partir de seus limites e objetivos, das mais diversas formas. Isso permite também que ele seja praticado por pessoas de todas as idades de acordo com a necessidade de cada um.

Outro fator fundamental é que os praticantes no seu processo de desenvolvimento ao superar um obstáculo, um medo, uma condição física ou técnica aumentam sua autoconfiança e aprendem a colher os frutos das suas ações.

Outra ação do Parkour é despertar a cidadania dos praticantes. Esses ocupam áreas públicas e aprendem a valorizá-las como um bem que dependem para a sua prática. Aprendem que o espaço público é de todos e não de ninguém, como parecem ser tratadas as áreas públicas por grande número de pessoas.

Por fim, o Parkour foi criado por um bombeiro que se inspirou em situações de emergência, quando seria necessário ajudar alguém ou a si mesmo. Essas duas idéias se mantêm na idéia de desenvolvimento pessoal – ajudar a si mesmo e na constante troca de informações via internet, transmissão espontânea da técnica e valorização do desenvolvimento do colega e muitos outros - ajudar ao outro. Valores como esses poderiam ter mais espaço nos dias de hoje.

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